23.4.14

Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos, um filme mais ou menos ,um livro mais ou menos. 
Tudo perda de tempo. 
Viver tem que ser perturbador, é preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados, e com eles sua raiva, seu orgulho, seu asco, sua adoração ou seu desprezo. 
O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia.

Martha Medeiros

18.4.14


"Não sinto nada mais ou menos, ou eu gosto ou não gosto. Não sei sentir em doses homeopáticas. Preciso e gosto de intensidade, mesmo que ela seja ilusória e se não for assim, prefiro que não seja.

Não me apetece viver histórias medíocres, paixões não correspondidas e pessoas água com açúcar. Não sei brincar e ser café com leite. Só quero na minha vida gente que transpire adrenalina de alguma forma, que tenha coragem suficiente pra me dizer o que sente antes, durante e depois ou que invente boas estórias caso não possa vivê-las. Porque eu acho sempre muitas coisas - porque tenho uma mente fértil e delirante - e porque posso achar errado - e ter que me desculpar - e detesto pedir desculpas embora o faça sem dificuldade se me provarem que eu estraguei tudo achando o que não devia.
Quero grandes histórias e estórias; quero o amor e o ódio; quero o mais, o demais ou o nada. Não me importa o que é de verdade ou o que é mentira, mas tem que me convencer, extrair o máximo do meu prazer e me fazer crêr que é para sempre quando eu digo convicto que "nada é para sempre."

Gabriel Garcia Márquez


Um texto que é a minha cara,
 obrigada Pedro T.

31.3.14

Sei que tens ideias, que imaginas romances, que lês jornais e, mesmo que por vezes não o admitas, te preocupas com o que se passa em Portugal. Mas eu caguei para ser importante ou global. É demasiada pressão, é como ter o celular a tocar permanentemente. Não vou salvar o mundo inteiro. Não quero saber, segundo a segundo, se há um terramoto na Ásia, uma revolução em África ou que vestido levou certa triz a determinada cerimónia. Vim para aqui para estar longe de todo esse ruído [...] Quero dedicar tudo o que tenho e que amo apenas a uma coisa: fazer com que a minha vida tenha beleza e emoção. Que seja mais divertida do que aborrecida. E mesmo na perda e na dor, porque dor haverá, que isso sirva para transformar e não destruir.

Enquanto Lisboa arde, 
o Rio de Janeiro pega fogo.

HUGO GONÇALVES


Rio de Janeiro,
paraíso de ascensão e queda, morte e ressureição, metrópole do mato onde tudo é emocionalmente excessivo. Rio: malas de grife e iphones de Miami, mendigos sem camisa, botecos pé sujo lado a lado com shoppings cartão de platina, a generosidade de uns, a malandragem de outros, a hipérbole do bem e do mal, da felicidade e da tragédia, do futurista e do esclavagista, da bicha libertina e da evangélica fanática.

Enquanto Lisboa arde, 
o Rio de Janeiro pega fogo.